quarta-feira, 12 de maio de 2010

Terremotos e mais terremotos: eles estão mesmo aumentando?

Apesar dos últimos acontecimentos ocorridos no Haiti, Turquia, Chile e Baixa Califórnia, ou mesmo a série de abalos sucessivos registrados atualmente na Turquia terem chamado a atenção da imprensa e das pessoas de modo geral, não existe qualquer comprovação científica de que os tremores estejam aumentando. Nem este ano, nem nas décadas passadas.

Painel de Monitoramento Global


Tremores como o que aconteceu no Chile, de 8.8 graus ocorrem em média duas vezes ao ano em todo o planeta, portanto ainda podemos esperar pelo menos mais um abalo dessa magnitude. A única exceção ocorreu em 2004, quando foram registrados quatro abalos nessa faixa de intensidade. Eventos com magnitude entre 7.0 e 7.9, similares aos registrados na Baixa Califórnia em 4 de abril ou norte de Sumatra, no dia de ontem (7 de abril), ocorrem em média 14 vezes ao ano.

Em 2009 ocorreram 16 abalos nessa faixa e nos últimos 500 anos foram registrados pelo menos uma dúzia deles somente na região caribenha. Um deles, de 7.6 graus (oito vezes mais intenso que o do Haiti), atingiu a República Dominicana em 1946 deixando mais de 20 mil desabrigados.


Fatores principais
Existem diversos fatores que contribuem para a sensação de que os terremotos estejam aumentando, mas a rápida expansão nas telecomunicações e o aumento nas estações registradoras são apontados como o principal responsável por essa impressão. Em 1931, a rede sismográfica mundial contava com menos de 400 estações registradoras e atualmente esse número ultrapassa 4 mil. Somente os EUA possuem 8 mil estações.

quantidade de terremotos no mundo


Terremotos atuais
Diariamente ocorrem mais de cem terremotos na faixa de 2.5 graus de magnitude ao longo da falha de San Andreas, mas por serem corriqueiros passam praticamente despercebidos. No entanto, depois do terremoto de 7.8 graus ocorrido na Baixa Califórnia no último domingo, o USGS, órgão norte-americano responsável pelo monitoramento sísmico no país passou a divulgá-los diariamente, elevando tremendamente o número de eventos conhecidos e informados pela imprensa.

O incremento de estações e a capacidade de disseminar os dados registrados mais rapidamente através de satélites, telex e internet permitiu aos centros sismológicos localizar pequenos abalos praticamente indetectáveis anos atrás, tornando sua divulgação praticamente imediata, colaborando ainda mais para a sensação de aumento de sismos.

2010
Esse ano está testemunhando uma sequência notável de eventos entre 6.9 e 7.0 graus que estão ocorrendo de forma menos espaçada, mas é necessário mais tempo para avaliar se a quantidade ficará ou não dentro da média. Mesmo assim, é importante destacar que os eventos principais não estão ocorrendo na mesma zona ativa e sim em pontos separados do planeta, sobre placas tectônicas diferentes. O evento do Chile, por exemplo, ocorreu na junção entre as placas sul-americana e de Nazca enquanto que o da Baixa Califórnia ocorreu sobre a falha de San Andreas, ambas distantes do norte de Sumatra, localizada sobre a placa indo-australiana.

Até o presente momento, cientificamente não existe qualquer relação entre os sismos ocorridos e a proximidade entre os eventos só pode ser atribuído ao acaso.

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